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Ameaça de secessão
As diferenças culturais e lingüísticas entre Flandres e Valônia sempre foram motivo de rivalidade entre as regiões belgas e chegaram a provocar conflitos violentos em meados do século XX. O processo de federalização, iniciado na década de 1970, criou instituições autônomas em cada região, e só assuntos estratégicos são comandados pelo governo central. A crescente disparidade entre a economia de Flandres e a de Valônia nos últimos anos produziu uma crise política em 2007. Os partidos flamengos propuseram aprofundar a descentralização do país, e, no auge da crise, chegou-se a discutir a cisão da nação. Os partidos valões são contra a reforma, que acabaria com repasses anuais de cerca de 10 bilhões de euros recebidos pela região - em declínio econômico e com desemprego em alta. A comunidade de Bruxelas, a capital da Bélgica, é neutra na disputa e defende a unidade nacional.
Nas eleições legislativas de junho de 2007, o Partido Democrata-Cristão e Flamengo (CD&V) ganhou com pequena margem, e o governista VLD, que mantém relações com flamengos e valões, teve uma redução drástica de votos. Por causa de seu nacionalismo flamengo, o líder do CD&V, Yves Leterme, demorou dez meses até conseguir formar uma aliança estável de governo e ser empossado como primeiro-ministro no final de março de 2008. O governo formado desde então reúne representações políticas das duas comunidades e os pontos de divergência continuam em discussão.
Bruxelas
Além de capital da Bélgica, Bruxelas tem o status de capital administrativa da Europa, por servir de sede para várias instituições da União Européia. Assim, possui a característica de reunir pessoas de todo o continente que vão à cidade para trabalhar nos órgãos do bloco. Além de cosmopolita, Bruxelas é a maior aglomeração urbana do país. Apesar de o idioma local ser tradicionalmente o flamengo, a cidade é hoje bilíngüe, sendo o francês a outra língua corrente em placas, cartazes e documentos, bem como nas ruas.
Na área da cultura, Bruxelas abriga diversos museus de destaque na Europa, como o Real de Belas Artes - com um acervo de 32 pinturas do renascentista belga Rubens -, e o La Monnaie, uma das mais célebres casas de ópera do mundo. A Grand Place, praça central da cidade, tem edifícios em estilo renascentista flamengo, erguidos no fim do século XVII. O local foi praticamente reconstruído nessa época, após um ataque por tropas francesas em 1695, que colocou abaixo as antigas construções de madeira dos séculos XII ao XV. A praça foi tombada como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.
Bruxelas é também um grande centro comercial, atraindo turistas para as compras: chocolates, jóias e alta-costura internacional são os produtos tradicionalmente mais procurados.
Economia
A Bélgica passou por forte processo de industrialização no início do século XIX, o que lhe garantiu, desde então, uma posição importante no cenário econômico europeu. Com um sistema portuário e de transportes avançado - rodoviário, fluvial e ferroviário -, o país é sede de diversas empresas multinacionais e de comércio exterior. A região da Valônia foi a mais próspera do país até os anos 1950. Com suas minas de carvão, concentrava a maior parte das indústrias, principalmente têxteis e siderúrgicas. Nas últimas décadas, o fechamento progressivo das minas na Europa Ocidental levou à decadência industrial da região, com o encerramento de fábricas e o aumento do desemprego.
Após a II Guerra Mundial, a Bélgica acompanhou as mudanças na economia mundial, empenhou-se em tratados comerciais com abrangência política e mudou seu eixo econômico para o setor de serviços. A transformação levou Flandres a ganhar destaque na economia nacional, e o país intensificou o comércio com os vizinhos. A escolha de Bruxelas como sede da União Européia fez com que a cidade se voltasse para o setor de serviços, em especial àqueles ligados aos órgãos internacionais que a cidade passou a abrigar. Desde a segunda metade do século XX, tiveram amplo crescimento o setor bancário - amparado por um sistema legal flexível - e o turístico - apoiado no rico patrimônio cultural e arquitetônico das cidades belgas.
Magritte
Um dos mais importantes pintores belgas, René Magritte nasceu em Lessines, em 1898. Ainda jovem foi influenciado pela obra do italiano Giorgio di Chirico, que o levou a se aproximar da produção surrealista. Mantendo relações com Salvador Dalí, André Breton e Juan Miró, o artista logo foi reconhecido como uma das figuras-chave dessa vanguarda européia e membro do grupo dos "surrealistas de Paris". Pinturas como a célebre Ceci n'est pas une Pipe (Isto Não É um Cachimbo) - em que a figura de um cachimbo contrasta com a frase irônica que a acompanha - afirmam uma das principais características de sua obra: o jogo de sentido entre imagem e palavra.
Suas telas também foram marcadas pelo uso de elementos teatrais e pela reincidência de objetos da vida cotidiana, como chapéus-coco, pombas, portas e nuvens. Embora a maior parte de sua produção tenha sido ligada às idéias surrealistas de valorização do inconsciente e à fuga da lógica, Magritte teve incursões por outros movimentos artísticos. Assim, pintou telas com influências fauvistas e cubistas no decorrer da vida, sem perder o vínculo com os surrealistas. Colaborador em diferentes revistas modernistas, Magritte tinha forte engajamento político e fez parte do Comitê de Vigilância dos Intelectuais Antifascistas. Certa vez satirizou a figura de Hitler na obra Le Vrai Visage de Rex (A
Verdadeira Face de Rex), em que mostra o rosto de um político belga como um reflexo da face do ditador alemão.