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A ATITUDE DO CONHECIMENTO Optar entre administração, direito ou jornalismo é apenas o primeiro passo de muitas escolhas para construir uma carreira
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A cada ano, quase 5 milhões de jovens se inscrevem para o vestibular. Desses, 500 mil conseguirão um diploma de graduação. Se há alguns anos bastava o canudo para garantir um emprego, agora a faculdade é só o começo. O mercado é exigente e quer profissionais de primeira linha, com experiência profissional e de vida. Como ter tudo isso? O Guia do
Estudante Profissões conversou com uma consultora de recursos humanos para descobrir a resposta. Sofia Esteves do Amaral, psicóloga e sócia-diretora da Companhia de Talentos, especializada em orientação de carreira e recrutamento de trainees, diz que para conquistar espaço é preciso ter informações certas, se conhecer e fazer muito esforço. Se você é da turma dos que estão na dúvida entre fazer direito, administração ou comunicação, confira na entrevista o que tem de saber antes de tomar as decisões de seu futuro.

GE - O que significa escolher uma carreira?
Sofia Esteves do Amaral Conscientemente ou não, o que as pessoas buscam não é apenas trabalho. Querem prosperidade, segurança, reconhecimento, satisfação, prazer e, por que não dizer, felicidade. É uma decisão que afeta a vida pessoal e profissional, e por isso precisa ser consciente, baseada em informação e autoconhecimento. Não é fácil fazer isso sendo tão jovem. Mas escolher um curso de graduação é só o primeiro passo na construção da carreira. Cada vez mais engenheiros, por exemplo, trabalham com marketing, em vez de planejar prédios. Há médicos dirigindo empresas, jornalistas que viram administradores, advogados na área de finanças. O que garante o sucesso é o prazer com que se realiza o trabalho, independentemente da formação.

GE - O que se deve levar em conta?
Sofia É preciso se conhecer muito bem e ter respeito pelas próprias características. Escolher a profissão da moda, seguir a carreira dos pais por imposição ou deixar de fazer o que gosta por medo de não ter emprego são erros comuns, que resultam em profissionais burocráticos e frustrados. É necessário pensar em quais são seus interesses. Avaliar quais atividades você dedica a maior parte de seu tempo, qual é seu estilo de vida e o que quer para o futuro. A profissão escolhida precisa ser compatível com as respostas a essas questões. O segundo passo é se informar. As escolas não têm o costume de aproximar os estudantes das profissões. O jeito é fazer isso por conta própria. Converse com profissionais, visite escritórios, vá a faculdades. Quanto mais souber, mais fácil será descobrir a carreira certa.

GE - E se não der certo?
Sofia Troque de área e começe de novo. E, dessa segunda vez, com uma escolha mais consciente. Nunca é tarde para mudar e, nessa fase da vida, a transição é mais fácil. É preciso ter liberdade para errar e se arrepender. Até o segundo ano da faculdade, o aluno costuma ter a formação básica, que nem sempre tem uma relação próxima ao trabalho que vem depois. É perigoso dizer "eu não gosto" sem ter posto a mão na massa. Paciência faz parte do amadurecimento. A faculdade também tem muito a ver com a satisfação. Se a pessoa não se encontra na turma, pode transferir a sensação de deslocamento para os estudos. Talvez a solução esteja em mudar de universidade, não de curso. Por fim, é preciso entender que não existe perfeição. Todo trabalho tem momentos chatos, sim.

GE - Os pais têm um papel forte nessa decisão, e não é raro que tentem interferir na escolha do filho. Como lidar com eles?
Sofia É natural que os pais transfiram para o filho seus valores e frustrações. É claro que eles também querem o melhor e podem interferir achando que estão protegendo a "criança" e garantindo um futuro mais seguro. O que é melhor para os adultos não é, necessariamente, o melhor para o adolescente. O filho tem direito e responsabilidade sobre seus erros e acertos. Os pais não podem poupá-lo disso. Também não dá para se realizar por meio da carreira do filho. Se querem ajudar, podem fazê-lo ao jovem oportunidades de descobrir áreas de interesse. Por exemplo, levá-lo à empresa para que acompanhe um dia de trabalho. Respeitar as escolhas profissionais do adolescente evita uma cena comum e dolorosa em formaturas: o filho que entrega o canudo ao pai e diz "O.K., agora que você tem o que quer, vou viver a minha vida".

GE - Existe fórmula para aproveitar bem o curso e, assim, ter mais chance na hora de enfrentar o mercado de trabalho?
Sofia A sociedade e as empresas estão valorizando mais a atitude diante do conhecimento do que o conhecimento propriamente dito. Isso quer dizer que os "nerds" de antigamente, que se dedicavam exclusivamente aos estudos, não são mais os preferidos de quem contrata. Claro que isso não diminui a importância de estudar. Os bons alunos sempre terão mais chance. Mas é preciso tirar tempo para viver. Fazer trabalho voluntário, praticar esportes e ter uma vida cultural intensa são hábitos tão importantes para formar bons profissionais quanto estudar técnicas e teorias. Além disso, é necessário quebrar o gesso da grade curricular. Ficar preso a um único departamento por quatro ou cinco anos é um desperdício. É preciso aproveitar a diversidade da instituição. Assistir a aulas de outros cursos, por exemplo, é uma ótima maneira de ganhar novas perspectivas.

GE - Fala-se muito de comportamento. Que atitudes é preciso cultivar para garantir um lugar ao sol?
Sofia É mais fácil formar o conhecimento técnico do que o talento comportamental. No começo da carreira, seja no estágio, num programa de trainee ou em uma entrevista de emprego, todos os jovens são muito parecidos: têm pouca ou nenhuma experiência e formação semelhante. O que vai dizer quem entra e quem fica é a atitude. Ela também é determinante na construção na carreira, e o diferencial das pessoas de sucesso. Mas, afinal, que "atitude" é essa? São comportamentos que se trazem de casa e se exercem no dia-a-dia. Alguns podem ser aprendidos. Outros são inatos. Independentemente da área,
todas as empresas querem o mesmo: iniciativa, garra, bom relacionamento interpessoal, ótima comunicação, flexibilidade, jeito para trabalhar em equipe, liderança, criatividade, espírito empreendedor, capacidade de análise crítica e de enxergar o todo, curiosidade e prazer em aprender.

GE - Estágio é fundamental?
Sofia É, por dois motivos: ajuda a ter clareza das escolhas e propociona experiência profissional. O estágio é a chance de experimentar áreas diferentes e descobrir afinidades que vão abrir portas no caminho após a formatura. Durante esse período é possível vivenciar a realidade profissional de vários ramos da carreira, o que ajuda a ter clareza de qual é a sua. Além disso, quem estagia adquire a experiência que será exigida lá na frente, na busca pelo primeiro emprego. Em muitas empresas, é por aí que se inicia há muitos exemplos de diretores e presidentes que começaram como estagiários. Por fim, é a forma de ajustar o descompasso entre a universidade e o mercado de trabalho. Inúmeros cursos oferecem apenas a teoria, e você só aprende realmente quando transfere o conhecimento para a prática.

GE - Além da formação universitária, o mercado exige cada vez mais outras habilidades. Quais são as competências realmente necessárias para enfrentar a concorrência?
Sofia A lista é grande e só aumenta. Começa, claro, pela excelente formação universitária de preferência, em uma faculdade de renome. O que se viveu durante o curso também é importante. Por exemplo, ter feito estágio ou trabalhado em bolsas de pesquisa e monitoria. O domínio do inglês já é básico, e agora se desejam conhecimentos em uma terceira língua cada área e cada empresa têm sua preferência. A vivência no exterior é outro diferencial. O mercado enxerga a viagem como uma chance de o jovem desenvolver maturidade e independência. Fazer trabalho voluntário, freqüentar cursos fora da área de atuação e até fazer outra graduação também conta pontos. Mas nada disso adianta se os aspectos comportamentais não estiverem bem resolvidos. Junte tudo isso e você terá um jovem talento.
O que as empresas querem? - Inspiração para mudança e para novas idéias
- Modernização dos processos e abertura de novos nichos de mercado
- Engajamento total nos valores da empresa
- Disponibilidade, energia e flexibilidade
- Respostas imediatas a problemas e a desafios
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