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Uma pesquisa realizada em 2002 pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em parceria com o Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Minas Gerais (Nescon), mostrou que a grande maioria dos mais de 250 mil médicos que atuam no país possui uma jornada de três ou mais empregos, aliando trabalho assalariado e prática autônoma em consultórios e hospitais.
Outro trabalho realizado pelas instituições traçou o perfil dos médicos no Brasil: 50% têm até 40 anos de idade, 32,7% são mulheres, 61,37% residem nas capitais e 70% dos profissionais possuem consultório, em que a principal fonte de renda são os convênios. A maioria dos abordados também se dizia insatisfeita com o mercado, com o salário e com as condições de trabalho. Mas, apesar de tudo isso, a paixão pela profissão ainda fala mais alto: 80% dos profissionais afirmaram gostar muito do que fazem e apenas 0,2% abandonou a profissão.
Segundo Roberto Caproni, odontologista e especialista em ciência do comportamento e marketing interpessoal voltado para os profissionais de saúde, com certeza os dados dessa pesquisa refletem o panorama de outras áreas, como fisioterapia, odontologia, enfermagem, nutrição, entre outras.
FORMAÇÃO CARENTE
O mercado de saúde exerce grande pressão sobre os profissionais, que precisam ter muito
conhecimento técnico, mas também apresentar competências comportamentais, como ética, liderança e boa dose de humanismo. "Infelizmente, essa não é a realidade encontrada dentro da maioria dos currículos das faculdades, que hoje se preocupam em formar apenas bons técnicos em saúde", garante Caproni. O resultado é que o aluno assimila por quatro, cinco ou seis anos a teoria e a tecnologia de ponta e sai da universidade deficiente nos outros quesitos.
TEM DE GOSTAR DE GENTE
O dia-a-dia de um hospital (ou mesmo de uma clínica especializada, ou ainda um consultório) é pontuado pelo atendimento de seres humanos com problemas graves de saúde e outros nem tanto. E é bom ficar claro que é justamente nesse cenário de fragilidades que o profissional de saúde atuará.
"Uma das características mais valorizadas atualmente nos profissionais dessa área é gostar de lidar com pessoas. É preciso ter interesse pelo relacionamento humano. E nas mais diversas situações", alerta Caproni, que também é autor do best-seller Marketing Interpessoal (edição independente), que prega aos profissionais de saúde a importância de conquistar a confiança do cliente.
Assim, aquele profissional que atende o doente, mal o olha nos olhos e apenas receita um medicamento está com os dias contados dentro do mercado. Mais do que se dedicar ao conhecimento técnico, os especialistas da área estão sendo muito cobrados pela sociedade pela maneira com que abordam os pacientes, relacionam-se com eles e tratam deles.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define: "Saúde é o equilíbrio biológico, psico e social para que um indivíduo viva em paz e feliz". O doutor Caproni conta que quando menciona essa frase da OMS nas palestras que ministra pelo Brasil, sobre gerenciamento de carreira no setor de saúde, sempre escuta de um aluno ou outro que isso mais parece conversa de pastor. "Porém, eu rebato afirmando que o profissional de saúde que conseguir assimilar bem essa idéia terá sucesso na carreira", diz Caproni.
Um estudo desenvolvido pela Universidade Harward, nos Estados Unidos, no fim da década de 1990, concluiu que o sucesso de uma clínica de saúde depende de 15% da habilidade técnica e 80% da habilidade interpessoal do profissional que a conduz. "É mais importante que o médico, o dentista ou o fisioterapeuta esteja preparado para dialogar com o paciente do que bombardeá-lo com as técnicas de tratamento que aprendeu na faculdade", compara Caproni.