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Se você tem muitas dúvidas sobre qual carreira seguir e se isso parece um problema insolúvel, talvez seja hora de buscar ajuda. Atualmente é possível encontrar profissionais especializados e diferentes serviços que se propõem a ajudar o vestibulando. Os centros de orientação vocacional e profissional, por vezes localizados dentro das próprias universidades ou em clínicas de psicologia, trabalham, de modo geral, com encontros semanais variam entre cinco a 15 sessões, de uma a duas horas e empregam diversas estratégias. O trabalho pode ser feito em grupo ou individualmente e inclui entrevistas, dinâmicas, aplicação de testes e atividades escritas e práticas.
Fazemos algumas sessões de reflexão junto com o jovem para ele elaborar essa escolha, diz a psicóloga Regina Sonia Gattas do Nascimento, coordenadora do serviço de Orientação Vocacional da Clínica Psicológica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em geral, a pessoa não termina as sessões recebendo um veredicto sobre qual carreira seguir, mas tem mais claros seus interesses e habilidades e dispõe de maiores informações sobre os cursos, as profissões e o mercado de trabalho, sendo capaz de tirar suas próprias conclusões. A gente não dá o peixe, nós ensinamos a pescar, compara Regina.
SEGURANÇA PARA OPTAR
Alguns serviços e profissionais, entretanto, finalizam o trabalho de orientação indicando as opções em que o vestibulando pode se encaixar. Foi o que aconteceu com o paulista Rafael Hossri Ferreira da Silva, de 18 anos, atualmente no primeiro ano de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Em dúvida entre Administração, Agronomia ou Medicina Veterinária, buscou, em 2007, os serviços de orientação vocacional de uma psicóloga no interior de São Paulo. Após seis sessões individuais e alguns testes soube que se encaixaria em seis ou sete opções de carreira, entre elas Administração e Medicina Veterinária. A decisão por Administração só aconteceu mesmo depois de trabalhar mais de um mês, durante as férias, na empresa do pai. Rafael considerou positiva a experiência de ter feito orientação e sentiu mais confiança ao tomar a decisão final. Ajudou muito, porque eu queria ter certeza de que levava jeito para aquela área.
Os psicólogos especialistas em orientação vocacional costumam torcer o nariz quando testes vocacionais padronizados são utilizados para obter uma resposta definitiva, mas não excluem a sua utilidade. Há testes bons e eles podem ser um instrumento de diagnóstico; o mais importante é que tenha um profissional que saiba manuseá-los, ressalta Regina.
Jogos e dinâmicas de grupo também são úteis para que o vestibulando perceba quais são os seus valores. Alguns profissionais ainda contam com testes de personalidade e de fotografias e exame de maturidade a fim de traçar o perfil dos estudantes. No teste com fotos chamado BBT, uma técnica que vem da Suíça, os jovens separam em três grupos mais de 90 cartões com imagens de situações de lazer e de trabalho, conforme o que lhes agrada ou desagrada. Em pelo menos três sessões individuais ou em grupo, o psicólogo conduz uma reflexão a respeito das escolhas. Já o teste de maturidade apresenta dezenas de frases, como por exemplo sempre me preocupo com o que os outros pensam, e o participante marca em uma escala de 1 a 5 o quanto concorda com a sentença. O trabalho é desenvolvido a partir daí.
Os encontros individuais apresentam a vantagem de oferecer um atendimento exclusivo, mas em grupo é possível manter um diálogo com outras pessoas que estão passando por dificuldades semelhantes, o que pode tornar o trabalho mais divertido e dinâmico.