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Por Mariana Nadai
Entrar em uma faculdade não é tarefa das mais fáceis, e exige muita dedicação aos estudos. Para ajudar nesse processo, muitas vezes os estudantes recorrem aos cursinhos pré-vestibulares. Como os alunos de baixa renda normalmente não possuem acesso a esse tipo de serviço, em geral caro, algumas instituições criaram os chamados cursinhos populares, que oferecem as mesmas opções dos cursinhos particulares, mas são gratuitos ou cobram mensalidades mais baixas.
O Cursinho XI de Agosto, criado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, oferece curso de redação básica para os alunos que têm pouco contato com a escrita. “Além de aulas de reforço, o estudante também conta com uma boa estrutura aqui no cursinho, como refeitório e biblioteca”, diz Augusta Aparecida Barbosa Pereira, coordenadora da instituição.
Alguns cursinhos, preocupados com a formação completa dos alunos, oferecem um maior embasamento cultural ao estudante, além da revisão das matérias do currículo básico escolar. É o caso do Cursinho Experimental do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). “Procuramos organizar uma programação cultural intensa, com exibição de filmes, visita a museus. Acreditamos que o aluno tenha que vivenciar o aprendizado. E essa é uma forma divertida de fazer isso”, explica Vagner Honório dos Santos, secretário do cursinho.
Aulas sobre atualidades também fazem parte da grade curricular de várias dessas instituições. O curso pré-universitário da Psicologia da USP, por exemplo, discute com os estudantes temas que estão em pauta no momento, como as cotas raciais. “Costumamos abordar questões mais amplas com os alunos, além dos conteúdos que eles precisam revisar ou aprender para o vestibular. Acreditamos que é um modo de prepará-los para a vida universitária, não só para a prova”, diz Fernanda Tiemi Higashino, coordenadora do curso.
Mas o maior diferencial dos cursinhos populares é mesmo o acesso, pois a maioria garante vagas para estudantes de baixa renda ou oriundos de escolas públicas. No cursinho do CRUSP, por exemplo, não existe prova de seleção, e as inscrições são feitas conforme a ordem de chegada. No da Psicologia, os interessados passam por uma entrevista sócio-econômica, que dá preferência aos estudantes com renda entre zero e 300 reais. O XI de Agosto também realiza inscrições por ordem de chegada e, apesar de ser pago, também é voltado para estudantes de baixa renda, com mensalidades que não passam dos R$ 110.